terça-feira, 8 de setembro de 2015

ARÁBIA E TEMPEROS MÁGICOS



Uma vez quando era criança e morava na Lapa, interior do Paraná, estive numa festa na casa de uma senhora Libanesa (cujo filho dela também turco era muito amigo de meus pais). Nesse dia lembro que brincava no quintal da casa com outras crianças enquanto adultos lá dentro já jantavam o prato da festa "kibe cru ".O senhor Libanês meio incomodado com crianças que não entravam dentro da casa para ver se a janta estava pronta ofereceu para nós pequeninos o "tal do kibe cru" com o pão francês (o próprio muito comprado por nós brasileiros nas padarias. Tudo isso para "camuflar psicologicamente" o paladar "enjoado infantil").O momento da "prova" entre ser bom ou ruim surpreendeu o turco, todos amaram aquela misturinha de carne crua exótica regada no azeite com cebola, salsinha e frescor do hortelã.A turminha somente pedia reprise,  esse foi o meu primeiro contato com comida arabe.Dali em diante comi muito o " tal kibe cru", sempre acompanhada pela minha familia juntamente a familia desse senhor Libanes. Um certo dia minha familia foi convidada para um jantar mais completo na casa desse senhor, onde tive oportunidade de conhecer toda a história dele e de sua família até a sua  vinda ao Brasil e toda a sua cultura (casamento, tesouros e mistérios da familia, típico de uma boa história libanesa).Durante jantar regado a kibe cru novamente, kaftas, pastas de Babaganuche etc, me recordo de um sentimento humano e normal relacionado ao paladar individual: experimentei pasta coalhada seca e não gostei, o sentimento de acidez extrema em minha língua não  me agradou. O gentil turco chegou a perguntar se eu gostei, infelizmente eu não gostei e tive que mentir ao anfitrião,  porém meu rosto vermelho dizia tudo.

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